A REDE NATURA 2000, O GOLFE E O PREGADO… E UMA OPORTUNIDADE PERDIDA, QUE NÃO DEVE SER ESQUECIDA.

Opinião de
João Milheiro
Três itens e um denominador comum: A Rede Natura 2000.
Com efeito, quer a zona para Criação de Pregado, quer a zona inicialmente apontada para a implantação do Campo de Golfe no nosso concelho de Mira – a Praia de Mira – tinham como área de implantação a Rede Natura 2000. Perante tal conclusão, a pergunta que se impõe é por demais evidente:
Se a Rede Natura 2000 é a mesma, como é que se conseguiu “dar a volta” à Rede para implementar a Criação do Pregado e não se conseguiu “dar a volta” à Rede para a implantação do Campo de Golfe na Praia de Mira?
Por mais voltas que dê à questão, a única resposta que encontro evidente para explicar este fenómeno só pode ser uma: Pressão… do verbo pressionar.
Bom, se foi uma questão de pressão (a tal do verbo pressionar) então a evidência leva, ainda, a uma outra pergunta: Porque é que a pressão resultou para a Criação do Pregado e não resultou para o Campo de Golfe?
Com todo o respeito por mais sábias e bem fundamentadas explicações (assim elas apareçam) aqui fica a minha modesta opinião: Para implementar a Criação do Pregado no nosso concelho de Mira, o nosso presidente João Reigota, empenhou-se de forma seríssima, no sentido de não deixar escapar tão preciosa mais valia. Estou mesmo em crer que, pese embora a Criação do Pregado tenha sido considerado pelo governo da Nação um projecto PIN (Projecto de Potencial Interesse Nacional) e, por vias disso, projecto a segurar com ambas as mãos… e ambos os pés também, se não fosse o seríssimo e profundo empenho do nosso presidente João Reigota a coisa, certamente, ter-se-ia complicado. Senão mesmo esfumado, atrevo-me a dizê-lo. Pena é que no caso do Campo de Golfe (o tal que era para ter sido implementado na Praia de Mira por alturas do ano 2000) e apesar do empenho, o nosso presidente João Reigota não tenha conseguido “dar a volta” à Rede, daqui resultando que o Campo de Golfe lá foi “pregado” para outra freguesia. E do mal, o menos. Não se perdeu tudo… e ainda bem.
Não se perdeu tudo, mas perdeu-se imenso. Em primeiro lugar, perderam-se 8 anos (com tudo o que isso implicou) a relocalizar o Campo de Golfe para outras bandas. Em segundo lugar, e para ficarmos pela “rama”, o nosso presidente João Reigota perdeu uma bela oportunidade, diga-se de passagem que gentilmente cedida pelo ministro José Sócrates (à data dos factos, não era o Primeiro mas já era o do Ambiente e do Ordenamento do Território), para ter tornado o nosso concelho de Mira muito mais atractivo e muito mais interessante do que hoje se apresenta. E como poderia ser bem diferente o nosso concelho, se o presidente João Reigota não tivesse desperdiçado tal oportunidade.
Com efeito, em consequência do chumbo do Campo de Golfe na Praia de Mira, o governo da Nação da altura (chefiado pelo Eng. António Guterres e com compromisso assumido pelo Eng. José Sócrates) comprometeu-se com o Município de Mira a dois objectivos: 1º. Disponibilidade para estudar com a autarquia a relocalização do Campo de Golfe e 2º. A aprovar e a promover o financiamento de um projecto para o local do Golfe, desde que este fosse compatível com as normas ambientais da Rede Natura 2000. Se em relação ao primeiro dos objectivos, a autarquia não se esqueceu – e ainda bem que não – de aproveitar a boa vontade do governo, em relação ao segundo dos objectivos é o que, infelizmente, constatamos: Onde deveria haver um projecto interessante (um parque ecológico, por exemplo) financiado pelo governo da Nação, há, salvo opinião mais avalizada, mato e acácias… e com fartura. De tudo isto, e lamurias à parte, podemos claramente concluir que do embate entre o nosso concelho de Mira com a Rede Natura 2000 temos o seguinte resultado:
Pregado: 1 – Campo de Golfe na Praia de Mira: 0
E se no que concerne ao vencedor deste “jogo”, o resultado não deixa a menor das dúvidas, já quanto à oportunidade perdida (a tal gentilmente cedida pelo governo da Nação, desperdiçada pelo presidente João Reigota e que tinha por objectivo compensar – à semelhança das compensações para o Oeste pela não construção do aeroporto da Ota – o Município de Mira pelos prejuízos causados, assim como a empresários e investidores, os vários anos de trabalho com pareceres favoráveis, a perda por parte do Município de receitas directas, assim como os prejuízos gerais no futuro turístico do concelho) mais não nos resta senão aguardar, ao jeito de final de jogo, pelas declarações do “treinador”.
Para terminar, falta apenas acrescentar que este público pedido de explicações encontra-se ancorado na fortíssima convicção de que estamos perante um verdadeiro crime lesa-municipio e que o foi, sem qualquer margem para dúvidas, de uma forma absolutamente lamentável. E se ao tempo destes acontecimentos, o presidente João Reigota assumiu, e muitíssimo bem, a posição de exigir responsabilidades ao governo da Nação pelos prejuízos causados a investidores e ao Município, será de esperar que (apesar do tempo passado e porque ainda vai muito bem a tempo) assuma – na plenitude – as responsabilidades pela oportunidade perdida.
“Não existe vento favorável para aquele que não sabe para onde quer ir”. Alguém disse. Confesso que não fui eu que disse, mas confesso que gostava de ter sido e ainda confesso mais: Confesso que entendo que com tal desnorte, quem se tem tramado… somos todos nós. Tenho dito.