Luta contra os incêndios florestais

Texto de
Carlos Monteiro
Perante os graves incêndios registados nos últimos anos no nosso país é necessário conseguir uma maior eficácia na luta contra os incêndios florestais.
E necessário envolver as populações locais e fomentar o voluntariado na prevenção, algo que está ao nosso alcance. Mas também é imprescindível erradicar a política do fogo e qualquer benefício que dela se possa obter, algo que só depende dos nossos responsáveis políticos.
No nosso país, em relação a incêndios florestais e ás causas que originam estes sinistros, existe um inadequado investimento público tanto na prevenção como no combate contra os incêndios, deficiências nos dispositivos de luta contra incêndios e políticas florestais erradas que se manifestam pela escassez ou abandono de investimento no sector florestal. A administração pública competente, os Municípios, assim como os responsáveis políticos devem prestar uma maior atenção ao problema dos incêndios florestais e tomarem medidas que erradiquem definitivamente este flagelo.
Os dois últimos anos ficaram caracterizados, por se terem registado os Verões mais negros no que a incêndios florestais diz respeito.
Em Portugal houve um incremento no orçamento da luta contra incêndios, não se percebe como o número de incêndios disparou chegando a ultrapassar os 30.000 sinistros anuais. Segundo um relatório do Parlamento Europeu, Portugal é o único país europeu que viu aumentar linearmente a sua superfície queimada ano após ano desde 1995. Em 2005 as áreas verdes queimadas superaram em 24 vezes as da França, quatro as da Espanha e triplicam as da Grécia e Itália.
Isto demonstra que algo está a falhar na nossa política contra os incêndios.
No entanto parece-me que as coisas melhoraram um pouco em relação a 2005 em termos de prevenção e combate aos fogos. No entanto, assistimos a mais um espectáculo lamentável, a troca de acusações entre dois ministros, sobre a responsabilidade da limpeza das nossas florestas.
È lamentável o facto de que em cada ano, chegado o Verão, os responsáveis da administração publica e comandos de bombeiros que gerem estes serviços, "inaugurem" a temporada de incêndios, fazendo crer o cidadão que este fenómeno seja algo natural e que se tenha que produzir inevitavelmente.
Um dos nossos problemas é a elevada percentagem de incêndios de causa desconhecida (entre os 20-25%). Dificilmente poderá desenvolver-se uma adequada prevenção sem se conhecer as causas que originam os incêndios. A sensação de impunidade dos incendiários é outro grande problema. No nosso país só se sanciona cerca de 2% dos infractores, este é um problema grave, porque se retira autoridade aos profissionais que trabalham na floresta e que funciona como um efeito dominó, pois cada vez mais as pessoas consideram que podem conseguir benefícios queimando a floresta sem que sejam punidas.
Na gravidade dos incêndios florestais reside o facto das suas consequências não se limitarem só ao sector ambiental, pois para além da destruição de espaços naturais de elevado valor, estes sinistros têm graves impactes sociais, com a perda de vidas humanas e importantes perdas económicas. Perante esta situação considero que nem a administração pública competente, e muito menos os responsáveis políticos estão a dar uma resposta adequada ao problema.