Areias, buracos e responsabilidades...

Opinião de
Carlos Monteiro
Segundo o J.N. (Jornal de Noticias) alguns proprietários de terrenos, confinantes à dita zona de extracção, acusam uma empresa, de estar a fazer extracção de areias sem licença para tal. A empresa garante que "está tudo legal", mas o Serviço de Protecção da Natureza e Ambiente da GNR levantou um auto de notícia dirigido à Câmara Municipal de Mira, entidade fiscalizadora, já que emitiu uma licença permitindo a remoção - e não extracção - de areias.
Um buraco de 180 metros com cerca de cinco de profundidade e 20 metros de largura". É desta forma que são definidos, na queixa que foi apresentada na Câmara de Mira, os efeitos da alegada extracção ilegal de areias num terreno junto ao lote de Mira relativo à construção da A17. A denúncia foi feita por um dos proprietários dos terrenos confinantes ao que vem sendo palco da remoção de areia pela empresa Oliveira Lontro & Filhos desde há um mês, supostamente para uma outra obra viária, a Variante à Praia de Mira.”Noticia JN”
Mais uma vez Lamento que Mira volte a constar no mapa pelos piores motivos.
Fazer extracção de areias sem licença para tal, trata-se de um crime contra o património público e ambiental, na modalidade de usurpação;
Algumas pessoas sentem-se como se fossem realmente donas do mundo, como se pudessem fazer o que bem entendem, sem respeitar as leis ambientais, ou sequer a propriedade alheia. Numa realidade onde a impunidade é frequente, sentem-se no direito de entrar numa área ambiental e extrair, com máquinas pesadas, areia para usar nas suas obras ou para comercializar.
Recorde-se que a situação não é inédita, o mesmo já aconteceu no concelho vizinho de Vagos. Existe alguma fiscalização? A "permissividade demonstrada pelas entidades fiscalizadoras, estimula a que se perpetue este crime de delapidação do ambiente e dos recursos naturais, de forma aparentemente impune". Enquanto não houver uma solução, os crimes ambientais continuam.
Valha-nos ainda a preocupação dos cidadãos pelos problemas ambientais, estando hoje mais sensibilizados para os problemas relativos à defesa do património e do ambiente, que irrompem como cogumelos benfazejos, e vão colocando freio nalguns apetites predadores mais funestos. Se não houver coragem em dar a cara e defender o que é justo, seremos sempre nós os perdedores. Na hora do fecho destas contas, questionar-se-á o papel das autoridades, do poder local autárquico, das secretarias de estado e, de alguns famosos ambientalistas que tanto porfiam nos negócios ambientais. Numas coisas fazem um alarido desgraçado quando tem televisões por perto, noutras, quando não há holofotes, nem truz nem muz.
Aguardemos o desfecho para avaliar o processo e a extensão da imputação de responsabilidades, sabendo à partida que em Mira, a culpa morre habitualmente solteira.